Poupar ou investir: Que diferenças separam estes dois conceitos chave?

Termos como poupar ou investir são regularmente usados quase como sinónimos, mas na realidade são conceitos diferentes que, quando possível, devem guiar a gestão das suas finanças pessoais.

Por norma, olhamos para a poupança como algo que é conseguido ao ter cuidado com os gastos, a aproveitar promoções e outras ofertas. Por outro lado, vemos o investimento como algo que move milhões de euros e que só está ao alcance de quem tem contas bancárias “recheadas”.

A verdade é que, nos dias de hoje, ambos são relativamente acessíveis, ainda que em diferentes proporções já que dependem das possibilidades de cada um. Assim, de uma forma geral, os especialistas sugerem que se olhe para a poupança como algo a ser aplicado a curto prazo, enquanto o investimento é uma solução com aplicação a longo prazo.

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Poupar ou investir: o que os separa

Simplificando, poupança, não se refere à capacidade de evitar despesas ou procurar promoções, mas sim a aplicar o dinheiro em produtos financeiros com características específicas que permitam que o montante aumente com o tempo, mas que esteja seguro e pronto a usar quando necessário.

Por outro lado, investimento, refere-se a aplicar o dinheiro com o propósito específico de o fazer crescer, sendo que existem centenas de tipos de investimento diferentes, de maior ou menor risco. Os especialistas sugerem os investimento a longo prazo devido a potenciais quedas ao longo do tempo.

Por onde começar?

Entre poupar ou investir, o mais indicado é começar pela poupança, antes de mais, através da criação de um Fundo de Emergência. Saber quanto precisa de poupar para obter um bom pé-de-meia depende dos seus objetivos, sendo que os especialistas acreditam que se deve ter entre três meses a um ano de despesas acauteladas para o caso de, por exemplo, vir a ficar desempregado.

Esta poupança poderia ser aplicada em produtos como depósitos a prazo, certificados de aforro, ou seguros de capitalização sem penalizações na altura do resgate. Estes produtos distinguem-se por darem fácil acesso ao dinheiro poupado e pelas garantias oferecidas, o que lhes conferem segurança.

Criando este fundo de emergência está a criar condições para poder ter também investimentos a longo prazo, sabendo que a poupança está lá para resolver qualquer problema que possa surgir a curto prazo.

No que toca ao investimento, é importante entender que ser investidor é um processo de aprendizagem que não acaba. A curto prazo, os valores de produtos financeiros mais complexos e/ou arriscados tanto podem descer como subir, mas a longo prazo há produtos que historicamente deram resultado.

montinhos com moedas

Poupar ou investir? Resposta está no risco que quer correr

Entender como funcionam diferentes tipos de investimento, como ter acesso aos mesmos, e como constituir uma carteira de investimento é importante para no futuro ver o seu dinheiro a crescer. Por norma, o potencial retorno de um investimento é sempre maior quando o risco de perder dinheiro também é maior.

O risco com o qual está disposto a lidar depende apenas de si. Alguns investimentos têm um risco baixo e dão também um retorno baixo, enquanto outros têm riscos elevadíssimos e podem levar à perda do capital investido, mas também a fortes retornos. Nestes casos, é importante limitar as perdas sem limitar os ganhos. Isto pode ser feito, por exemplo, optando por ter no seu portefólio de investimentos, uma ínfima percentagem alocada em produtos de maior risco.

Investir, note-se, não significa comprar propriedades por grandes quantias ou fazer grandes movimentos financeiros. Para muitos portugueses, investir significa apenas juntar o que conseguem num Plano Poupança Reforma (PPR), uma solução que tem associados certos benefícios fiscais.

Leia ainda: Como fazer um fundo de emergência

Como o risco muda tudo

Assim sendo, a grande diferença entre poupar e investir está no risco associado aos produtos financeiros em que colocamos o dinheiro. Produtos de poupança como certificados de aforro, depósitos a prazo, e seguros de capitalização são assegurados pelo Estado ou seguradoras sólidas, logo o risco é baixo.

Sendo o risco baixo, o retorno também o é. Consegue rentabilizar pouco o dinheiro que está poupado, mas sabe que quando precisar vai tê-lo disponível para usar. Ainda assim, inform-se nem porque alguns destes produtos podem ter períodos em que não pode mexer no dinheiro, e deve gerir os seus fundos de acordo com esses critérios.

Com produtos de investimento não há garantias sobre o dinheiro que investiu. Os resultados históricos de muitas empresas e fundos são positivos, mas no mundo financeiro acredita-se que o desempenho do passado não garante resultados futuros. Além disso, para cada história de sucesso, há uma de fracasso.

Investir com consciência e com foco no longo prazo pode ajudá-lo a aumentar o dinheiro que investiu de forma significativa. Uma estratégia comum em produtos de investimento é também investir uma quantia fixa todos os meses, de modo a anular, ainda que ligeiramente, a volatilidade do mercado.

Complementar poupança e investimento

Apesar de não ser sempre possível, o ideal é que consiga complementar a poupança com o investimento. O primeiro passo será criar um pé-de-meia antes de colocar um cêntimo que seja em produtos mais arriscados.

Este pé-de-meia, colocado em produtos mais seguros, mas que dão menos rendimento, nunca vai crescer de forma significativa – nem tem esse objetivo. O dinheiro aplicado para crescer de forma significativa vai para investimentos.

No entanto, é possível ter investimentos de elevado valor em vários mercados e viver “apertado” até ao fim do mês se não tem o já referido bom pé-de-meia. Se um investidor tiver um problema a curto prazo, numa altura em que estão os mercados em baixo, pode ser forçado a levantar os seus investimentos mesmo perdendo dinheiro.

 O valor desses mesmos investimentos poderia vir a aumentar, mas sem a poupança criada para cobrir uma despesa a curto prazo, o investidor é forçado a aceitar a perda. Mais uma vez, salientamos que a poupança o protege a curto prazo, enquanto o investimento tem o objetivo de fazer crescer o seu dinheiro a longo prazo.

Dado que o investimento deve ser sempre feito com pensamento a longo prazo, é importante começar o mais cedo possível. Dicas de poupança comuns, como renegociar os seus contratos, podem ajudá-lo a ter alguns euros extra para investir o mais cedo possível.

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